Vila Euclides: o estádio onde as greves do ABC mudaram o país
Entre 1979 e 1980, dezenas de milhares de metalúrgicos lotaram o estádio hoje chamado 1º de Maio. Um roteiro pelos lugares dessa história no centro de São Bernardo.
Em março de 1979, a sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo já não comportava a categoria em greve. As assembleias foram para o estádio da Vila Euclides — e de lá saíram imagens que entraram para a história do país: dezenas de milhares de trabalhadores no gramado e nas arquibancadas, ouvindo um jovem sindicalista chamado Luiz Inácio da Silva falar de cima de mesas, sem microfone potente, às vezes debaixo de chuva.
As greves de 1979 e 1980
A primeira assembleia no estádio foi em 13 de março de 1979. Entre aquela greve e a de 1980, que durou 41 dias, foram ao menos 18 grandes assembleias na Vila Euclides, com público estimado entre 60 mil e 80 mil pessoas nas maiores. Em plena ditadura, o movimento enfrentou intervenção no sindicato e, em 1980, a prisão de Lula e de outros diretores.
Quando o estádio fechou, a igreja abriu
Com o estádio fechado pelo governo do estado, as assembleias de 1980 ganharam outro abrigo: a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, que abriu as portas aos metalúrgicos. A Matriz fica a poucos minutos do estádio, e os dois lugares formam um bom roteiro a pé pelo centro.
O estádio hoje
Rebatizado de Estádio 1º de Maio, em homenagem ao Dia do Trabalhador, ele é a casa do São Bernardo Futebol Clube, que administra o estádio desde 2022. Fica na Rua Olavo Bilac, 240, no Jardim Olavo Bilac. A visita é feita em dia de jogo — confira a tabela do clube.
Fontes: Diário do Grande ABC, Fundação Perseu Abramo, Diário do Grande ABC (gestão) e Wikipédia. Foto da capa: fachada do Estádio 1º de Maio — LuanCampSouza93, domínio público (CC0), via Wikimedia Commons.